O ÚLTIMO ÉDIPO

Estreia de “ O Último Édipo” em setembro/2016, com texto de W.J. Solha contemplado no FIC – Fundo de Incentivo à Cultura Augusto dos Anjos 2014.


O Último Édipo, baseado no texto dramatúrgico “Édipo no Terceiro Milênio”, escrito especialmente para o grupo de Teatro Lavoura, por W. J. Solha, de uma livre adaptação do seu premiado texto “História Universal da Angústia”, convida o espectador a se aventurar pela trágica história de um rei que é levado pelo destino a assassinar o próprio pai e desposar sua mãe. História imortalizada por Sófocles e encenada nos mais diversos teatros através dos séculos.  O Lavoura escolheu partir da perspectiva Shakespeariana e freudiana dada ao mito grego por Solha como base para desconstruí-lo e, assim, imprimir sua marca a essa releitura.

O espetáculo tem direção de Jorge Bweres com atuação de André Morais, Herlon Rocha, Ingrid Trigueiro e Joevan Oliveira. O texto é uma recriação dramatúrgica empreendida por Sandra Luna e se vale de diálogos e situações da trama criada por Solha que enreda o Édipo em artifícios tecnológicos e traduz o enigma da esfinge em termos políticos. A encenação dialoga com o audiovisual, por meio da direção de fotografia visionária de João Carlos Beltrão em vídeos que contam com a participação dos atores Ubiratan Di Assis, Amaury Veras, Ulisses Nogueira e do próprio W. J. Solha. A trilha sonora é do músico e, também ator do espetáculo, Herlon Rocha e a produção está a cargo de Nina Rosa e Metilde Alves.

Como estratégia para tornar o espetáculo mais próximo do público, a direção optou por imprimir um maior grau de pessoalidade nas relações que se estabelecem entre as personagens aumentando, ao mesmo tempo, o grau de intensidade das cenas, sem perder as sutilezas e nuances tão características dos trabalhos anteriores do grupo.

Ao procurar se afinar à luz da estética contemporânea, o espetáculo do Lavoura assume explicitamente o culto ao already-made, à bricolagem, ao entrecruzamento de linguagens e perspectivas. Assim, sem deixar de ser clássico, “O Último Édipo” é também paródico; dramático e trágico, faz-se igualmente crítico e irônico; existencial e passional, a trama é social e política. Traduz a ambiguidade e as provocações da arte contemporânea: aglutina o antigo, o moderno e o pós-moderno para ressignificar a eterna luta humana face aos desafios da vida.

Ao revisitar um clássico da tradição ocidental, o Lavoura se coloca sob o fio da navalha ao assumir caminhos, até então, desconhecidos ao seu fazer. Desafio assumido pelo grupo e que serviu de estimulo a todos os integrantes do processo.

 

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